"Quando a última árvore tiver caído, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado, todos vão entender que dinheiro não se come". ( VALDOMIRO MAICÁ)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

BIOMA CERRADO


O Bioma Cerrado localiza-se principalmente no Planalto Central do Brasil. Ocupa 24% do território nacional, pouco mais de dois milhões de quilômetros quadrados. Segundo estudos atuais, restam 61,2% desse total, em áreas distribuidas no Planalto Central e no Nordeste, estando a maior parte na região Meio-Norte , nos estados do Maranhão e do Piauí. Existem áreas de Cerrado também em Rondônia, Roraima, Amapá, Pará, bem como em São Paulo. É a segunda maior formação vegetal brasileira depois da Amazônia, e savana tropical mais rica do mundo em biodiversidade. Além disso, o Bioma Cerrado é favorecido pela presença de diferentes paisagens e de três das maiores bacias hidrogáficas da América do Sul. Concentra nada menos que um terço da biodiversidade nacional e 5% da flora e da fauna mundiais.
A Árvore do Conhecimento Bioma Cerrado oferece informações sobre as principais características de solo, clima, vegetação, fauna, ecologia e biodiversidade deste bioma, além do acesso a recursos de informação na íntegra. A informação pode ser obtida pela navegação numa estrutura ramificada em forma de árvore hiperbólica, por hipertexto ou pelo serviço de busca.


Fonte: http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia16/AG01/Abertura.html

sábado, 28 de novembro de 2009

A NOSSA JABUTICABA, QUEM DIRIA...


Olha aí que interessante!!!
A jabuticaba, nossa pequena notável!!! Fruta 100% brasileira. É dela que vamos falar. Discreta no quintal de nossa casa, ela contém teores espantosos de substâncias protetoras do peito. Ganha até da uva, e provavelmente do vinho, que é festejado no mundo inteiro por evitar infartos. Você vai conhecer agora uma revelação científica, e das boas, que acaba de cair do pé!

Por Regina Pereira

A química Daniela Brotto Terci nem estava preocupada com as coisas que se passam com o coração. Tudo o que ela queria, em um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, era encontrar na natureza pigmentos capazes de substituir os corantes artificiais usados na indústria alimentícia.
E, claro, quando se fala em cores, a jabuticaba chama a atenção.
Roxa? Azulada? Cá entre nós, jabuticaba tem cor de... jabuticaba.
Mas o que tingiria a sua casca? A cientista quase deu um pulo para trás ao conferir: "enormes porções de antocianinas", foi a resposta.
Desculpe o palavrão, mas é como são chamadas aquelas substâncias que, sim, são pigmentos presentes nas uvas escuras e, conseqüentemente, no vinho tinto, apontados como grandes benfeitores das artérias.
Daniela jamais tinha suspeitado de que havia tanta antocianina ali, na jabuticaba, aliás, nem ela nem ninguém.
“Os trabalhos a respeito dessa fruta são muito escassos”, tenta justificar a pesquisadora, que também mediu a dosagem de antocianinas da amora.
Ironia, o fruto da videira saiu perdendo no ranking, enquanto o da jabuticabeira......
Dê só uma olhada (o número representa a quantidade de miligramas das benditas antocianinas por grama da fruta):
  • Jabuticaba: 314
  • Amora: 290
  • Uva: 227
As antocianinas dão o tom. 'Se um fruto tem cor arroxeada é porque elas estão ali', entrega a nutricionista Karla Silva, da Universidade Estadual do Norte Fluminense, no Rio de Janeiro.
No reino vegetal, esse tingimento serve para atrair os pássaros.
E isso é importante para espalhar as sementes e garantir a perpetuação da espécie', explica Daniela Terci, da Unicamp.
Para a Medicina, o interesse nas antocianinas é outro. “Elas têm uma potente ação antioxidante”, completa a pesquisadora de Campinas. Ou seja, uma vez em circulação, ajudam a varrer as moléculas instáveis de radicais livres. Esse efeito, observado em tubos de ensaio, dá uma pista para a gente compreender por que a incidência de tumores e problemas cardíacos é menor entre consumidores de alimentos ricos no pigmento.

Ultimamente surgem estudos apontando uma nova ligação: as tais substâncias antioxidantes também auxiliariam a estabilizar o açúcar no sangue dos diabéticos.
Se a maior concentração de antocianinas está na casca, não dá para você simplesmente cuspi-la. Tudo bem, engolir a capa preta também é difícil. A saída, sugerida pelos especialistas, é batê-la no preparo de sucos ou usá-la em geléias. A boa notícia é que altas temperaturas não degradam suas substâncias benéficas.

Os sucos, particularmente, rendem experiências bem coloridas. A nutricionista Solange Brazaca, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, interior paulista, dá lições que parecem saídas da alquimia. “Misturar a jabuticaba com o abacaxi resulta numa bebida azulada”, ensina. “Já algumas gotas de limão deixam o suco avermelhado”. As variações ocorrem devido a diferenças de pH e pela união de pigmentos ácidos.

Mas vale lembrar a velha máxima saudável: bateu, tomou. “Luz e oxigênio reagem com as moléculas protetoras”, diz a professora. Não é só a saúde que sai perdendo: o líquido fica com cor e sabor alterados.

Aliás, no caso da jabuticaba, há outro complicador. Delicada, a fruta se modifica assim que é arrancada da árvore. “Como tem muito açúcar, a fermentação acontece no mesmo dia da colheita”, conta a engenheira agrônoma Sarita Leonel, da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu. A dica é guardá-la em saco plástico e na geladeira. Agora, para quem tem uma jabuticabeira, que privilégio!
A professora repete o que já diziam os nossos avós: “Jabuticaba se chupa no pé”.
O branco tem seu valor.

A bioquímica Edna Amante, do laboratório de frutas e hortaliças da Universidade Federal de Santa Catarina, destaca alguns nutrientes da parte branca e mais consumida da jabuticaba. “É na polpa que a gente encontra ferro, fósforo, vitamina C e boas doses de niacina, uma vitamina do complexo B que facilita a digestão e ainda nos ajuda a eliminar toxinas”.

Ufa! E não só nessa polpa, mas também na casca escura, você tem excelentes teores de pectina. “Essa fibra tem sido muito indicada para derrubar os níveis de colesterol, entre outras coisas”, conta a nutricionista Karla Silva. A pectina, portanto, faz uma excelente dobradinha com as antocianinas no fruto da jabuticabeira. Daí o discurso inflamado dessa especialista, fã de carteirinha: “A jabuticaba deveria ser mais valorizada, consumida e explorada”.
Nós concordamos, e você?


A jabuticabeira

Nativa do Brasil, ela costuma medir entre 6 e 9 metros e é conhecida desde o período do descobrimento. “A espécie é encontrada de norte a sul, desde o Pará até o Rio Grande do Sul”, diz o engenheiro agrônomo João Alexio Scarpare Filho, da ESALQ. Segundo ele, a palavra jabuticaba é tupi e quer dizer “fruto em botão”.

A invenção é esta: vinho de jabuticaba. O nome não deixa de ser uma espécie de licença poética, já que só pode ser denominado vinho pra valer o que deriva das uvas. Mas, sim, existe um fermentado feito de jabuticaba que, aliás, já está sendo exportado.

“O concentrado da fruta passa um ano inteiro em barris de carvalho”, conta o farmacêutico-bioquímico Marcos Antônio Cândido, da Vinícola Jabuticabal, em Hidrolândia, Goiás.

A jabuticaba é a matéria-prima de delícias já conhecidas, como a geléia e o licor, e também de uma espécie de vinho. Quem provou a bebida garante: é uma delícia.

Em 100 gramas ou 1 copo:  Calorias 51 / Vitamina C 12 mg / Niacina 2,50 mg / Ferro 1,90 mg / Fósforo 14 g .

Tire proveito da jabuticaba

Atributos, para essa fruta tipicamente brasileira, são o que não faltam. Vitaminas, fibras e sais minerais aparecem nela ao montes.
Agora, para melhorar ainda mais esse perfil nutritivo, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas descobriram que ela está cheia de antocianinas, substâncias que protegem o coração.
Mais uma razão para que a jabuticaba esteja sempre em seu cardápio.

Produtos da Caatinga e do Cerrado ganharão destaque nos próximos anos

Picolé de açaí, ou de açaí com banana, além de sucos de maracujá da caatinga e de açaí com guaraná. Esses são algumas das novidades que turistas do mundo inteiro vão encontrar ao chegar no Brasil em 2014 e 2016, anos de Copa do Mundo e da Olimpíada, respectivamente.

Por trás desses produtos de sabores exóticos está um importante e amplo trabalho da Rede Bodega de Produtos Sustentáveis do Bioma Caatinga que beneficia 2.500 famílias do Cerrado, da Caatinga e da Amazônia.
A organização não-governamental Agendha é responsável por tecer os fios dessa rede, que trabalha com base nos princípios do Comércio Justo e solidário. A ONG foi criada em 2003 para a realização de serviços de assessoria e gestão em estudos da natureza, desenvolvimento e agroecologia.
Sua atuação prioritária é na Zona Semi-Árida e Sub-Úmida Seca do Nordeste, mais precisamente no Bioma Caatinga. Ela busca construir uma estratégia permanente de comercialização dos produtos da sociobiodiversidade e simultaneamente a divulgação, sensibilização e efetivação das potencialidades das caatingas e de seus agentes.

Recentemente a Rede Bodega assinou convênio com a Associação Brasileira das Indústrias de Sorvete (Abis) e com a empresa Atrium Ingredients Business, e obteve apoio do Acordo de Cooperação entre a República Federativa do Brasil e a República Federal da Alemanha. A parceria via possibilitar a criação de sorvetes e sucos tendo como matéria-prima os frutos da Caatinga, do Cerrado e da Amazônia.

"Os eventos previstos para os próximos anos no Brasil - entre eles, a Expo Mundo em 2016 - serão uma chance única para divulgar esses sabores diferenciados, tão pouco conhecidos em nível nacional e internacional", afirma Maurício Lins Arocha, responsável pelos produtos da sócio-biodiversidade na Agendha.

O convênio visa promover a qualidade e sustentabilidade dos empreendimentos da agricultura familiar, que têm como base a responsabilidade sócio-ambiental, o comércio ético, justo e responsável. Serão produzidos picolés, sorvetes, polpas e sucos de 30 frutas do Cerrado, da Caatinga e da Amazônia. "Os primeiros produtos já criados são os picolés nos sabores de açaí, açaí com banana, além de sucos de maracujá da caatinga e de açaí com guaraná", conta. Como estratégia de divulgação, esses produtos terão suas informações traduzidas em 20 idiomas.

Para Maurício Lins Arocha, a Caatinga e o Cerrado não têm recebido a devida valorização e divulgação que merecem. "O Capitulo VI, § 4º da Constituição Federal não prevê esses importantes biomas como patrimônio nacional, abrangendo apenas a Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira", lamenta. Segundo ele, as famílias que vivem nesses ecossistemas conseguem extrair matérias-primas para produzir mais de 800 produtos. "Dos 28 milhões de brasileiros que habitam o Bioma Caatinga, estima-se que 38% vivam em áreas rurais".

A REDE BODEGA

A Rede Bodega de Produtos Sustentáveis do Bioma Caatinga nasceu em 2005. Trata-se de uma rede de organizações sociais que coletam, cultivam, criam e beneficiam produtos da Caatinga. Ela também busca comercializar os produtos na perspectiva de relação justa e solidária, incentivando o consumo saudável e sustentável. A Rede é tecida por 30 organizações ecoprodutivas dos estados do Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará, Pernambuco e Alagoas, que formam o Bioma da Caatinga/Nordeste.

Os produtos dessas organizações, formadas por cooperativas, associações, grupos e entrepostos, são comercializados de forma itinerante em de feiras, rodadas de negócios e exposições locais, nacionais e internacionais. Também há vendas no mercado institucional, por meio de parcerias público-privadas e pelo blog da Rede. Ao todo são 682 produtos, entre alimentos, bebidas, artesanato e serviços. As bodegueiras, como são chamadas as mulheres que lideram as redes, são responsáveis por dar apoio às organizações da sua localidade.

"O nome Bodega trás à luz a denominação histórica e cultural de pequenos e diversificados estabelecimentos comerciais", explica Maurício. A Rede também aproxima, por meio de palestras de orientação, as organizações e os programas institucionais do Governo Federal, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Maurício explica que alguns grupos da rede já fornecem para a rede de lojas da Tok Stok e para o Pão de Açúcar.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias - www.agenciasebrae.com.br
Regina Xeyla - Jornalista
Telefones: (61) 3348-7138 e 2107-9362

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Projeto Quintais Orgânicos de Frutas - uma idéia inovadora que nasceu no Sul e que pode ser adaptada a Região Centro-Oeste


RESUMO
O projeto privilegia, técnica e conceitualmente, os princípios da produção orgânica e busca contribuir para a segurança alimentar e ambiental de comunidades carentes em áreas rurais e urbanas, voltado principalmente para agricultores familiares, comunidades quilombolas, indígenas e escolas do campo e cidade.

Aborda questões culturais (resgate da tradição de ter-se um pomar caseiro no quintal), étnicas (envolve negros, brancos e índios), ambientais (auxilia na preservação de espécies frutíferas nativas e animais silvestres), alimentares (fornecimento de frutas e seus subprodutos para os beneficiários durante os 12 meses do ano), econômicas (frutas excedentes são transformadas em sucos concentrados, geléias, doces ou vendidas in natura, possibilitando a geração de renda) e medicinais (frutas, suas partes ou das plantas podem ser utilizadas na prevenção ou combate a algumas enfermidades).

Cada quintal é constituído de cinco mudas de, pelo menos, 12 espécies de frutas, escolhidas em função de suas características nutricionais e medicinais e por se adaptarem bem aos solos e ao clima da região de Clima Temperado.

São utilizadas as seguintes espécies: pêssego, figo, laranja, amora-preta, cereja do Rio Grande, araçá, goiaba, caqui, pitanga, romã, tangerina e limão. A partir de 2006, outras espécies de frutas nativas também passam a integrar o projeto, entre as quais guabijú, araticum, uvaia, jabuticaba e guabiroba. Até 2009 foram implantados 770 quintais, com 169.400 plantas, sendo 53.900 frutíferas e o restante de quebra-ventos, atingindo 29.458 beneficiários diretos, em 90 municípios do Sul do Brasil e do Uruguai. A meta para 2009 é implantar mais 200 quintais.

Objetivos do projeto Quintais


Introduzir e validar, em áreas urbanas e rurais, tecnologias que propiciem a implantação de quintais orgânicos de frutas, com propriedades nutricionais e medicinais, de forma a contribuir com a diminuição da fome e melhorar a qualidade de vida da população.

Quintais orgânicos contribuem com a sustentabilidade
A Embrapa Clima Temperado (Pelotas/RS) é responsável pelo plantio de cerca 170 mil mudas de árvores nos Estados brasileiros do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, sendo 54 mil frutíferas, beneficiando aproximadamente 30 mil pessoas. A Unidade pretende viabilizar, ainda esse ano, o plantio de outras 45 mil mudas de árvores, sendo 15 mil frutíferas. Essa é uma das principais conquistas obtidas pela instituição, através do Projeto Quintais Orgânicos de Frutas, coordenado e executado pela Unidade, com apoio da Fapeg e financiamento da Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE) e do Sistema Eletrobrás.


O Projeto foi implantado em 2004, com apoio do Programa Fome Zero, e tinha como objetivo inicial contribuir com a diminuição da fome e melhorar a qualidade de vida da população com a oferta de alimentos. Entretanto, com o passar dos anos a atividade que tinha uma finalidade social conquistou novos horizontes e, atualmente, contribui também com o meio ambiente. “Apoiamos os Quintais Orgânicos, pois além de acreditar nos objetivos do Projeto, ele é uma contrapartida da CGTEE em relação às usinas de produção energética a base de carvão”, explica o diretor presidente da CGTEE, Sereno Chaise.

O projeto também apresenta benefícios relacionados à capacitação de estudantes, quem explica é o coordenador do projeto e Supervisor da Área de Transferência de Tecnologia da Embrapa Clima Temperado, Fernando Costa Gomes. “Atualmente, temos 16 estagiários, universitários remunerados, que executam atividades junto aos Quintais Orgânicos. Esses futuros profissionais que atuam em diferentes áreas do conhecimento encontram no projeto oportunidade de aprendizado prático”, salienta.

Sustentabilidade produtiva regional e internacional

Para os agricultores familiares, professores e quilombolas contemplados pelo Projeto Quintais Orgânicos os benefícios são tantos, que orgulham os embrapianos que acompanham os êxitos do Projeto, que além de cumprir seus objetivos iniciais vem crescendo cada vez mais.

O agricultor familiar José Pedro Oliveira Prado, de 59 anos, tem um Quintal Orgânico que foi implantado em 2007, na localidade de Alto da Boa Vista, no município do Santana da Boa Vista (RS), seu pomar, apesar de ainda estar produzindo em fase inicial, já está contribuindo com a melhoria econômica da família composta por cinco membros. “Estou achando bacana cuidar dos pomares. Estou pensando em plantar outras mudas junto com meus irmãos, numa outra propriedade, para vender as frutas na cidade”, disse ele. Sua declaração reforça que o Projeto está cumprindo sua missão de alavancar novos investimentos para o plantio de frutas em prol do comércio.

“Melhorou muita coisa e o apoio dos Quintais foi relevante, pois temos frutas o ano todo e antes nossa família não consumia tantas frutas como agora”, afirmou o agricultor familiar Erni Luiz da Rosa, 26 anos, também de Santana da Boa Vista. Seu pomar foi implantado em 2006 e já está produzindo frutas suficientes para sua família, composta por quatro pessoas, além de possibilitar distribuição para os vizinhos e parentes. Seu depoimento reforça a abordagem alimentar do projeto, pois ampliou o fornecimento de frutas para a alimentação durante os 12 meses do ano.

A relevância étnica e cultural dos Quintais Orgânicas é destacada pela quilombola Maria de Lourdes Machado, de 44 anos, ao afirmar que “agora temos outras variedades de algumas frutas que não tínhamos antes, pois só produzíamos citros. Está muito bom”. Ela conta que além das frutas, o pomar serve como fonte de ocupação para seu pai de 68 anos, o quilombola Teobaldo Machado. “Ele passa horas aqui cuidando dessas árvores, adubando, limpando, regando e colhendo frutas. Esse Quintal é uma alegria para ele”, disse.

Finalmente, os benefícios educacionais, medicinais e ambientais do projeto Quintais Orgânicos são reforçados pelas ações desenvolvidas pelo Colégio Estadual Nosso Senhor do Bonfim, de Morro Redondo (RS). Segundo a diretora Madalena Krause, a importância deste projeto faz com que os jovens se envolvam não somente com a produção dos quintais para o plantio de frutas, mas também com a questão da qualidade dos alimentos ingeridos nas refeições. “Criamos uma nova disciplina na 7° série para estudar educação ambiental com ênfase no manejo de pomares, pois enquanto a Embrapa trabalha com os produtores rurais, a escola trabalha com os filhos destes produtores”, finalizou ela.

O sucesso do Projeto já ultrapassou as fronteiras do Brasil e chegou ao Uruguai, onde foram implantados 40 quintais, totalizando outras cerca de 5 mil mudas de árvores, sendo frutíferas e quebra vento. Atualmente, segundo Fernando, está sendo elaborado um projeto de expansão das atividades para todo o Mercosul.

Conheça o projeto


O projeto privilegia, técnica e conceitualmente, os princípios da produção orgânica e busca contribuir para a segurança alimentar e ambiental de comunidades carentes em áreas rurais e urbanas, voltado principalmente para agricultores familiares, comunidades quilombolas, indígenas e escolas do campo e cidade. Enfoca diversos aspectos da sustentabilidade, através de questões culturais, étnicas, ambientais, alimentares, educacionais, econômicas e medicinais.

Ao longo dos primeiros quatro anos do projeto já foram implantados 770 quintais orgânicos de frutas. Cada quintal é constituído de cinco mudas de, pelo menos, 12 espécies de frutas, escolhidas em função de suas características nutricionais e medicinais e por se adaptarem bem aos solos e ao clima da região de Clima Temperado. São utilizadas as seguintes espécies: pêssego, figo, laranja, amora-preta, cereja do Rio Grande, araçá, goiaba, caqui, pitanga, romã, tangerina e limão. Desde 2006, outras espécies de frutas nativas também passaram a integrar o projeto, tais como: guabijú, araticum, uvaia, jabuticaba e guabiroba. Também são utilizadas mudas de quebra vento para proteger os pomares.

Premiações conquistadas

O trabalho que vem sendo desenvolvido pela Unidade em parceria com os agricultores familiares, já rendeu algumas premiações. Em 2007, o projeto Quintais Orgânicos de Frutas foi premiado pela Fundação Banco do Brasil em parceria com a Petrobras, com apoio da Unesco e da KPMG Auditores Independentes com a Certificação de Tecnologia Social 2007. No ano seguinte, o projeto garantiu a terceira edição da Feira Internacional de Tecnologia para o Meio Ambiente (FIEMA) na categoria Tecnologia Ambiental e a 16° Edição do Prêmio Expressão de Ecologia, na categoria Tecnologias Sócio Ambientais – Setor Público.

Futuro do projeto

O empregado da Embrapa Clima Temperado e responsável pelo projeto, Fernando Costa Gomes, ressalta a evolução do trabalho. “Hoje, na atual fase do Projeto, também será priorizado a realização de cursos de capacitação na transformação das frutas e no aproveitamento de suas propriedades funcionais.

Fernando diz isso porque já estão sendo aplicadas idéias inovadoras, como a preparação de doces, geléias, sorvetes, iogurtes, entre outros produtos derivados dessas frutas, atividades de pesquisa que serão repassadas aos beneficiários por técnicos envolvidos com o Projeto. “Queremos capacitar às pessoas que possuem Quintais Orgânicos para que saibam as diversas maneiras de aproveitar as frutas”, afirma Fernando. Além disso, a pesquisadora da Unidade, Márcia Vizzoto, está preparando um folder que divulgará as propriedades funcionais e a importância das frutas para a saúde.

Fonte: jornal Agrosoft

sábado, 21 de novembro de 2009

PEQUI


Caryocar brasiliense Cambess.


Outros nomes regionais e locais são piqui, piquiá-bravo, amêndoa-de-espinho, grão-de-cavalo, pequiá, pequiá-pedra, pequerim, suari e piquiá.

Família Caryocaraceae

O pequizeiro é uma árvore que habita cerrados, cerradões e matas secas ao longo de todo o bioma Cerrado, sendo que queimadas recorrentes podem manter o pequizeiro na forma de subarbusto, em campos sujos; possui ramos grossos normalmente tortuosos, casca cinzenta com fissuras longitudinais e cristas descontínuas;

Folhas são compostas, trifolioladas; opostas (desenvolvem-se duas de cada nó do ramo); os folíolos podem medir até 20 cm de comprimento e são recobertos por densa pilosidade, assim como as extremidades dos ramos;


Suas flores de até 8 cm de diâmetro, são hermafroditas, compostas por cinco pétalas esbranquiçadas, livres entre si, com numerosos e vistosos estames (masculinos). O pequizeiro floresce durante os meses de agosto a novembro, com frutos madurando a partir de setembro (normalmente novembro) até o início de fevereiro.

O pequizeiro é uma árvore de múltiplos valores: ecológico, cultural, gastronômico, medicinal, econômico...

Em estudo bibliográfico das espécies de plantas medicinais do Mato Grosso, verificou-se um predomínio na utilização de espécies arbóreas (31%), seguidas de ervas (24%), arbustos (17%), subarbustos (12%), trepadeiras (9%), palmeiras (2%), epífitas (1,5%) e cactos (0,5%), para 3% das espécies não foi informado o hábito. Este estudo identificou dezenove artigos tratando do pequi como espécie medicinal. Sua utilização medicinal se dá como afrodisíaco, no tratamento de problemas respiratórios e suas folhas são adstringentes, além de estimularem o funcionamento do fígado. É utilizado para fins medicinais em toda sua área ocorrência.

A utilização terapêutica do pequi não está restrita à medicina popular. Nas últimas décadas, tem sido observado um aumento acentuado de infecções fúngicas, as quais contribuem para uma elevada taxa de mortalidade em pacientes imunocomprometidos. A criptococose causada por Cryptococcus neoformans é considerada micose oportunista, freqüentemente diagnosticada produzindo lesões principalmente no sistema nervoso central em pacientes com AIDS. Em trabalho publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, foi descrita a atividade antifúngica das folhas (extrato bruto etanólico, fração acetato de etila e cera epicuticular), dos dois principais componentes presentes no óleo essencial das sementes, além dos óleos fixos da amêndoa e da semente de pequi sobre isolados de C. neoformans var. neoformans e de C. neoformans var gattii. Foi verificado neste trabalho que a parte mais ativa contra os fungos é a cera epicuticular da folha, coletada no período da seca, inibindo o crescimento de 91,3% dos isolados de fungos.

O pequi integra a base cultural do centroeste brasileiro, sendo um elemento essencial na culinária regional do Cerrado. “Arroz com Pequi” é o prato típico do Goiás, onde o fruto também é tradicionalmente preparado em gordas e saborosas galinhadas. O emprego do pequi na dieta da população cerratense já tem mérito terapêutico, uma vez que é excelente na prevenção e combate à hipovitaminose A. Além do pequi, tucumã (Astrocaryum aculeatum), a macaúba (Acrocomia aculeata), a pupunha (Bactris gasipaes), o dendê (Elaeis guineensis) e, especialmente o buriti (Mauritia flexuosa) são ainda outras importantes fontes regionais de carotenóides no Brasil.


O Cerrado é povoado por espécies como pequi, ipês, aroeira, gravatás e orquídeas diversas, todas valiosas economicamente, fornecedoras de uma vasta gama de produtos vegetais madeireiros e não madeireiros. Entretanto, o bioma carece de uma política ampla, que integre as diversas iniciativas produtivas e conservacionistas, com vistas a reverter o grave processo de devastação pelo qual vem sofrendo. O modelo de ocupação e “desenvolvimento” empregado para a região (semelhante a outros biomas adjascentes), de maneira geral, está dizimando um manancial de recursos energéticos, medicinais, madeireiros, ornamentais, alimentares e culturais. Governantes da região, especialmente prefeitos, têm papel chave nas mãos, com a possibilidade de implementar políticas públicas conciliando utilização produtiva de espécies vegetais nativas do Cerrado com conservação e desenvolvimento humano, em nível local. Tal como a utilização de pequi, mangaba, buriti, baru, jatobá, araticum entre outras, na merenda escolar ou em dietas hospitalares, aliado à uma política adequada de desenvolvimento rural. A sociedade também pode contribuir, optando por consumir produtos do Cerrado e utilizando espécies nativas em seus jardins.


Estamos bem distantes do ideal, mas já temos opções de produtos do Cerrado: a Embrapa Cerrado, assim como diversos pequenos viveiros de mudas comercializam espécies nativas; A Rede de Sementes do Cerrado, articula iniciativas para o manejo de sementes no bioma; O catálogo do Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-ECOS), apresenta uma variedade de produtos baseados em espécies nativas e elaborados por produtores do Cerrado de maneira sustentável.

*Para obter contatos e endereços de produtores e comerciantes que trabalham com pequi e outras espécies do Cerrado, veja a lista organizada pela EMBRAPA-CPAC, no endereço (acessando “Produtos”): http://cmbbc.cpac.embrapa.br

** João Fernandes é proprietário do Santuário Raizama, na Chapada dos Veadeiros-GO, produz camisetas com fotografias de espécies da flora e outras temáticas do Cerrado, como rios, cachoeiras, serras e povos.

Fonte: Biólogo.com.br

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Conhece a Cagaita?

Cagaita

Eugenia dysenterica DC.

A cagaita ou cagaiteira (Eugenia dysenterica DC) é um fruta parente da jabuticaba, da goiaba, do jambo, dentre outras. Típica do cerrado, pode ser encontrada em Goiás, Mato Grosso, Tocantins, Minas Gerais, Bahia e São Paulo.

A cagaitera pode ser utilizada com fins medicinais devido ao seu efeito laxativo, conforme o nome da planta sugere. O curioso é que a fruta é laxante, mas suas folhas são empregadas contra a diarréia. A frutinha pode ser comida, in natura ou pode ser transformada em geléias, compotas, suco e sorvete.

O fruto da cagaita é delicioso e muito suculento. Deve-se comer cagaita com moderação! Seus efeitos terapêuticos são “um estouro”!

É uma espécie típica do Bioma Cerrado, ocorrendo em cerrados ralos até cerradões.


Floresce de agosto a setembro.
Frutifica de setembro a outubro.

Árvore hemafrodita de até 10 m de altura, copa compacta e avermelhada quando com predominância de folhas jovens. Tronco com casca de cor castanho acinzentado, com fissuras longitudinais e cristas sinuosas e descontínuas, veios castanhos.

Folhas simples, opostas, glabras (sem pêlos), de  margem lisa.

Flores isoladas ou reunidas em pequenos fascículos, partindo nas axilas foliares.


Frutos é uma baga de 2 a 3 cm de diâmetro, amarelo quando maduro, com 1-4 sementres, normalmente com remanescente do cálice floral seco. Relembrando que os frutos são bastante consumidos, tanto na forma natural como na forma de doces, geléias, sorvetes e sucos. Podendo ter sua polpa congelada por até um ano.

*Atenção quanto a quantidade de frutos ingeridos, principalmente quando quentes ao sol, grande quantidade gera efeito laxante, responsável tanto pelo nome popular, como pelo científico.

A árvore é também medicinal, melífera, ornamental e madeireira. A casca serve para curtumes. Outro bom exemplo de benefícios é a utilização de espécies fruteiras no paisagismo público.

Referências bibliográficas:
* Almeida, S.P, 1998; Cerrado: Aproveitamento Alimentar - Embrapa - Planaltina;
* Silva, D.B da, 2001; Frutas do Cerrado - Embrapa - Brasília.
* Fotos:  Fernando Tabagiba - biólogo/botânico.

O CERRADO BRASILEIRO - Introdução

É a segunda maior formação vegetal brasileira. Estendia-se originalmente por uma área de 2 milhões de km², abrangendo dez estados do Brasil Central. Hoje, restam apenas 20% desse total.
Típico de regiões tropicais, o cerrado apresenta duas estações bem marcadas: inverno seco e verão chuvoso.
Com solo de savana tropical, deficiente em nutrientes e rico em ferro e alumínio, abriga plantas de aparência seca, entre arbustos esparsos e gramíneas, e o cerradão, um tipo mais denso de vegetação, de formação florestal.
A presença de três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Tocantins-Araguaia, São Francisco e Prata) na região favorece sua biodiversidade .
Estima-se que 10 mil espécies de vegetais, 837 de aves e 161 de mamíferos vivam ali. Essa riqueza biológica, porém, é seriamente afetada pela caça e pelo comércio ilegal.

O cerrado é o sistema ambiental brasileiro que mais sofreu alteração com a ocupação humana.

Atualmente, vivem ali cerca de 20 milhões de pessoas. Essa população é majoritariamente urbana e enfrenta problemas como desemprego, falta de habitação e poluição, entre outros.
A atividade garimpeira, por exemplo, intensa na região, contaminou os rios de mercúrio e contribuiu para seu assoreamento. A mineração favoreceu o desgaste e a erosão dos solos.

Na economia, também se destaca a agricultura mecanizada de soja, milho e algodão, que começa a se expandir principalmente a partir da década de 80. Nos últimos 30 anos, a pecuária extensiva, as monoculturas e a abertura de estradas destruíram boa parte do cerrado. Hoje, menos de 2% está protegido em parques ou reservas.

Pequenas árvores de troncos torcidos e recurvados e de folhas grossas, esparsas em meio a uma vegetação rala e rasteira, misturando-se, às vezes, com campos limpos ou matas de árvores não muito altas – esses são os Cerrados, uma extensa área de cerca de 200 milhões de hectares, equivalente, em tamanho, a toda a Europa Ocidental. A paisagem é agressiva, e por isso, durante muito tempo, foi considerada uma área perdida para a economia do país.
Entre as espécies vegetais que caracterizam o Cerrado estão o barbatimão, o pau-santo, a gabiroba, o pequizeiro, o araçá, a sucupira, o pau-terra, a catuaba e o indaiá. Debaixo dessas árvores crescem diferentes tipos de capim, como o capim-flecha, que pode atingir uma altura de 2,5m. Onde corre um rio ou córrego, encontram-se as matas ciliares, ou matas de galeria, que são densas florestas estreitas, de árvores maiores, que margeiam os cursos d’água. Nos brejos, próximos às nascentes de água, o buriti domina a paisagem e forma as veredas de buriti.
Os Cerrados apresentam relevos variados, embora predominem os amplos planaltos. Metade do Cerrado situa-se entre 300 e 600m acima do nível do mar, e apenas 5,5% atingem uma altitude acima de 900m. Em pelo menos 2/3 da região o inverno é demarcado por um período de seca que prolonga-se por cinco a seis meses. Seu solo esconde um grande manancial de água, que alimenta seus rios.
A presença humana na região data de pelo menos 12 mil anos, com o aparecimento de grupos de caçadores e coletores de frutos e outros alimentos naturais. Só recentemente, há cerca de 40 anos, é que começou a ser mais densamente povoada.
Fonte: Portal Brasil

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