"Quando a última árvore tiver caído, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado, todos vão entender que dinheiro não se come". ( VALDOMIRO MAICÁ)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A REPRODUÇÃO DO PEQUIZEIRO

* Artigo de Evandro Bitencourt

Um dos símbolos do cerrado, o pequi esteve bem perto da extinção até há alguns anos, devido ao extrativismo indiscriminado e ao desmatamento de áreas de vegetação nativa.

Esse risco, felizmente, foi definitivamente afastado graças às técnicas de propagação desenvolvida por pesquisadores brasileiros.

Do plantio a frutificação vão de quatro a oito anos. A propagação da árvore do pequi é feita com os frutos maduros, usados como semente logo que ao chão. A quebra da dormência, entre outras maneiras, pode ser feita com a movimentação das sementes sem casca em um recipiente durante 15 a 20 minutos, de modo a provocar pequenos choques, ou deixá-los por 24 horas em uma solução de água com ácidos específicos.

Estão depositadas no pequi, juntamente com outros frutos do cerrado, como o baru, mangaba, caju, araticum, guapeva e o palmito da guariroba, esperanças de exploração sustentada do bioma, a partir do adensamento das plantas e da diversificação de espécies de reconhecida ou potencial importância econômica, num consórcio com a própria natureza, isto é, com outras plantas nativas.

Como a pesquisa ainda não tem todas as respostas para seu cultivo, o caminho para salvar o pequi tem sido a reprodução das condições oferecidas pelo ambiente natural da planta, uma experiência original como o próprio pequi.

Banhos de ácido e choques térmicos eram os recursos mais utilizados para estimular a germinação, mas essas e outras técnicas vem sendo substituídas em alguns viveiros. O pesquisador Roberto de Almeida Torres, coordenador do viveiro de mudas do CNPq/ Funape/UFG, explica que processo de reprodução do pequi começa com a seleção das matrizes. São escolhidas aquelas com frutos de melhor qualidade, destacando-se a espessura da polpa, a conformação e a sanidade da árvore.

Os frutos caídos são colhidos e amontoados no chão, à sombra, até que ocorra a fermentação. Em seguida são despolpados. As primeiras e ácidas chuvas da estação induzem a semente à germinação, o que ocorre a partir dos 28 dias. Em 60 dias, 80% do material já está germinado.

Cavadas com as medidas 40X40X40, as covas devem receber de cinco a 10 litros de esterco de curral curtido e 150 gramas de superfosfato simples. A aplicação de cupinicida é necessária, mas por se tratar de um produto muito tóxico é aconselhável buscar a orientação der um engenheiro agrônomo.

O perímetro da cova deve ser mantido sempre limpo, livre de invasoras. Também não se deve descuidar do controle das formigas. Ocasionalmente pode ocorrer o ataque de fungos, que podem se combatidos com produtos específicos.

O ideal é que as mudas sejam plantadas no início do período chuvoso. Depois de adaptado ao local onde foi plantado, o pequi resiste bem ao estresse hídrico, embora a irrigação seja um recurso importante para acelerar o crescimento e aumentar as chances de sobrevivência das plantas.

É aconselhável guardar de 30 a 40 metros quadrados para cada planta, embora não haja nenhum trabalho conclusivo sobre o espaçamento mais adequado, ressalta Roberto Torres. "Na natureza, mesmo nos locais onde há muitas árvores elas estão bem espaçadas".

Quanto à produção de frutas é certo que ela pode começar bem antes do que se imaginava até algum tempo, embora seja pouco expressiva no início da vida produtiva, já que é proporcional às dimensões da copa da planta. Em regiões mais quentes, onde o pequi encontra melhores condições de desenvolvimento, a exemplo do Vale do Rio Araguaia, observou-se a produção em um cultivo aos 3,5 anos.

Um comentário:

  1. muito legal, aprendi mais coisas sobre o pequi.

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