"Quando a última árvore tiver caído, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado, todos vão entender que dinheiro não se come". ( VALDOMIRO MAICÁ)

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ministra Izabella Teixeira defende veto de Dilma ao Código Florestal


A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, voltou a defender ontem (07/05/12) que a presidente Dilma Rousseff vete o texto do novo Código Florestal, aprovado pela Câmara dos Deputados em caráter final, em abril. "A posição da ministra é pelo veto. Não tenho nenhum problema em dizer isso", esclareceu Izabella Teixeira, que participou de um debate sobre a Carta da Terra, uma declaração de princípios éticos voltados à construção de uma sociedade global sustentável, no Senado Federal.




A ministra demonstrou preocupação com os problema socioambientais que o texto aprovado pela Câmara pode causar. Ela defendeu o texto aprovado pelo Senado Federal, que acabou sofrendo grandes modificações na votação da Câmara. "Acho que temos que respeitar todo trabalho feito nesta Casa [Senado]. O trabalho foi muito bem feito naquilo que as condições democráticas ofereciam ao debate, mas precisamos ser responsáveis em relação ao veto". Para ela, "os problemas socioambientais não podem ser empurrados com a barriga".


A Câmara dos Deputados aprovou o Código Florestal no fim de abril. A aprovação do projeto, com o apoio da bancada ruralista, desagradou ao palácio do Planalto, a ambientalistas e aos movimentos ligados ao campo e às causas ecológicas.

O Planalto, de acordo com a ministra, ainda não recebeu o texto aprovado pela Câmara dos Deputados. De acordo com informações da Mesa Diretora da Câmara, a proposta ainda aguarda assinaturas de integrantes da Secretaria da Mesa para ser encaminhada. A partir do momento em que receber oficialmente a redação final do código, a presidente Dilma Rousseff terá 15 dias úteis para sancionar ou vetar a lei.

CNBB diz que conflitos no campo vão aumentar se Código Florestal for sancionado como foi aprovado pela Câmara

Durante a divulgação do relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que registra aumento de 15% no número de conflitos no campo em 2011 ante 2010, o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner, disse ontem (07/05/12) que se o novo Código Florestal entrar em vigor como foi enviado pelo Congresso para sanção presidencial, "provavelmente aumentará os confrontos".

Dom Leonardo Steiner defendeu que a presidente Dilma Rousseff vete o texto como foi aprovado pela Câmara dos Deputados, no final de abril.

"Infelizmente, o Código Florestal aprovado [pela Câmara] não prima pela ética. O texto aprovado visa especialmente ao lucro [dos produtores], vender [produtos primários] para o exterior. Se não for vetado, ele provavelmente aumentará o conflito no campo, e os relatórios [da CPT], no futuro, se tornarão ainda mais pesados", declarou o secretário-geral da CNBB, crítico do que classifica como um "modelo equivocado de desenvolvimento", que prioriza o agronegócio em detrimento das populações tradicionais.

"Esperamos que o futuro nos ajude a termos um código que represente, de fato, uma possibilidade de relações harmônicas", completou.

Para a coordenação nacional da CPT, o texto aprovado flexibiliza as leis ambientais e anistia quem desmatou em áreas de proteção ambiental.

Além de movimentos sociais e ambientalistas, o projeto da Câmara vem recebendo críticas também de senadores que haviam aprovado, com a participação dos deputados, um projeto considerado mais rigoroso quanto à proteção ambiental.

FONTE

Agência Brasil
Luciana Lima e Alex Rodrigues - Repórteres
Vinicius Doria e Aécio Amado - Edição

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