"Quando a última árvore tiver caído, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado, todos vão entender que dinheiro não se come". ( VALDOMIRO MAICÁ)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Reflexão ambiental


Repensar a relação com a natureza
MÁRCIO FREDERICO DE OLIVEIRA DORILÊO



A intensificação de alguns fenômenos climáticos reafirma a importância do debate permanente acerca da temática ambiental, visando assegurar a prevenção dos chamados desastres naturais, que a cada ano acarretam inúmeras mortes e prejuízos econômicos ao Brasil e aos demais países do mundo. É sabido que vivemos expostos às consequências de escolhas e comportamentos descompromissados, geradores de riscos globais, cujos reflexos há algum tempo vêm sendo sentidos em todas as partes, como verificado na emissão descontrolada de gases de efeito estufa, por exemplo.

O paradigma do progresso a todo custo não mais se amolda à realidade atual, que não pode prescindir de atitudes e políticas públicas voltadas à preservação dos recursos naturais. A crise ecológica é pauta global, merecendo de todos os países a atuação que não pode ficar resumida apenas em seminários e encontros internacionais, definidores de acordos que mais se aproximam de gestos simbólicos e programáticos, sem efeitos práticos e imediatos para o bem-estar da população.
Na “queda de braço” que se estabelece entre os interesses econômicos dos países desenvolvidos e os defensores do meio ambiente, aqueles ainda ostentam larga vantagem sobre estes, bastando verificar as dificuldades impostas sempre que se busca reduzir a emissão de gases de efeito estufa. A conta que se está a pagar pelo progresso desmedido se apresenta mais cara e onerosa aos países considerados pobres, cuja população é a que mais sofre com a escassez (e o desaparecimento total em algumas regiões) de recursos naturais imprescindíveis para a vida não só humana.
A água é um exemplo disso, posto constituir um bem precioso e em processo acelerado de desaparecimento aos olhos do mundo, sem despertar, entretanto, a sensibilidade sincera dos líderes mundiais que se responsabilizam pelos rumos da humanidade. Acontece que a exploração desenfreada dos recursos naturais tem acarretado prejuízos também para a qualidade de vida de pessoas ricas que até então não possuíam qualquer preocupação com os níveis de comprometimento ambiental, motivadas pelo consumismo típico da economia de mercado.
Esse é o traço característico de um novo momento que está a demandar o dever de cuidado não somente com aquilo que nos cerca e imediatamente nos interessa, mas com tudo que possa afetar, direta ou indiretamente, a nossa relação com o Planeta, considerando que ninguém está imune aos efeitos da interferência irresponsável na natureza. O sentimento de cidadania ambiental a todos deve contagiar, estimulando o interesse e a efetiva participação nas questões ambientais, para o bem da humanidade.
O homem nada mais é senão parte da natureza, cuja defesa e proteção constitui bandeira de luta para sua própria sobrevivência. Isso mostra que não faz mais sentido acreditar que o desenvolvimento implica na tarefa de domínio ou conquista da natureza, pela exploração causadora de seu exaurimento. Pelo contrário, preservar a natureza faz dela a companheira fiel para o progresso e a sobrevivência do homem, numa relação harmônica e sustentável.
Márcio Frederico de Oliveira Dorilêo é Defensor Público e mestre em Direito Agroambiental pela UFMT 

http://midiajur.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário

siga o blog